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quarta-feira, 27 de março de 2013

PEC das domésticas. E as mães como ficam?


O mercado de trabalho doméstico entrando em rebuliço... E as mães, alguém já se perguntou como ficam?

Acho super merecidos os direitos que serão adquiridos. Assim como os empregados de uma empresa, os empregados domésticos de fato precisavam de uma regulamentação que lhes protegesse e garantisse benefícios. Porém, os dois lados da moeda precisam ser observados. E essa mudança cultural e econômica é difícil de ser assimilada e ajustada de uma hora para outra.

Economicamente falando, muitas famílias não terão mais condições de arcar com os custos de uma empregada. Consequentemente, muitas delas perderão o emprego.

Culturalmente falando, transformar a "relação familiar" que existe em muitas famílias com as pessoas que trabalham em casa em uma relação meramente comercial não é o ideal para quem tem filhos pequenos. E por "relação familiar" não me refiro à informalidade, não, me refiro ao relacionamento carinhoso que existe (ou deveria existir) em muitas famílias com aquelas que cuidam dos seus filhos.

Agora vai se iniciar uma guerra? Uma guerra por controle de livro de ponto, por pagamento de hora extra, por intervalo de almoço...?

Por outro lado, vai ser muito bom ver muitas mães voltando a serem mães integralmente... Sim, por que o que farão aquelas mães que "não conseguem" acordar de madrugada e transferem esta responsabilidade às babás?? E o que farão aquelas mães que não vivem 1 minuto sem babá? Mudança de paradigma!

Quanto a isso, não me queixo, o que vai ser difícil mesmo é conciliar o horário de trabalho das mães com as 8h diárias da babá. Vejam bem, para que uma mãe possa trabalhar, é necessário que a babá esteja em casa antes dela e que só saia quando ela retornar. Considerando uma mãe que trabalha 8h, fora o horário do almoço, a babá deve aguardar até que ela chegue, trabalhando horas a mais. Se é justo ou não, acredito que seja algo peculiar desta função. Nas empresas não haverá concessão para que as mães possam sair mais cedo, concordam? E não me venham com essa história de largar o emprego, pois mãe também tem carreira.

Aí, muitos pais terão que fazer rodízio, vão deixar as crianças até mais tarde na escola ou vão apelar para as avós, tias, vizinhas! Meus Deus! Estou um pouco aliviada por meus meninos estarem maiores agora. É bem mais complicado para quem tem bebês.

Mas no fundo, quem mais será afetado são os patrões que ainda insistiam na "clandestinidade", não assinavam carteira ou recolhiam INSS ou pagavam menos que o mínimo. Isso realmente é impensável e será muito justo se a lei conseguir evitar.

A cultura brasileira é muito dependente do trabalho doméstico, diferentemente de outros países da Europa ou Estados Unidos por exemplo. Não temos uma vida prática nem uma boa assistência de como deixar nossos filhos. Mas vamos ter que nos adaptar à nova realidade. Ao mesmo tempo, os empregados domésticos pecisarão lutar para manter vivo este emprego, que acolhe grande parte da população.


Imagem do site Extra.globo.com


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