domingo, 18 de agosto de 2013

O que a Alemanha tem para encantar as mães




Em Julho deste ano estive na Alemanha com minha família e, com meu olhar de mãe, não poderia deixar de compartilhar com vocês tudo que me deixou encantada neste país desenvolvido, rico e onde não se vê pobreza. Não vou falar aqui de pontos turísticos nem de cidades a visitar. Posso deixar para outro post. Aqui quero falar dos detalhes que fazem a diferença, das ideias bacanas e do que oferecem de interessante para as mães com suas crianças.


Vamos começar?



1. Licença maternidade

Seis semanas antes da data prevista para o parto, as mulheres não podem mais trabalhar. Neste período, elas recebem um valor do plano de saúde (EUR 13,00 por dia) e o restante é complementado pela empresa. A licença maternidade dura até 8 semanas após o parto. Após esse período, se a mulher quiser, pode ficar sem trabalhar por 3 anos, sem poder ser demitida! Mas também não recebe salário. Ou pode optar também por trabalhar somente meio turno. Caso ela opte por não trabalhar, o governo concede um auxílio durante 10 meses (até o bebê fazer 1 ano) equivalente a 67% do salário líquido (até EUR 1.800,00 por mês). Além disso, existe também o "dinheiro da criança" (EUR 184,00 por mês e por filho)! É muito incentivo para o nascimento de mais alemãezinhos!!


Ah! Antes que eu me esqueça, a maioria das mulheres faz parto natural.



2. Babás não existem!

Na Alemanha tem outra coisa interessante, que vocês já devem saber: não há babás. E de fato não há, nem para os muito ricos! Também não há empregadas domésticas. Existem diaristas (na verdade "horistas", pois paga-se por horas de trabalho), para ajudar em uma faxina mais pesada. Aí há um facilitador para as donas de casa: os eletrodomésticos funcionam de verdade e por um preço bem mais baixo do que encontramos aqui. A grande maioria dos lares alemães possuem máquina de lavar pratos, por exemplo. E nela é possível colocar os pratos realmente sujos (porque aqui no Brasil as máquinas só lavam se os pratos já estiverem limpos! Creiam nesta redundância!)

Após a licença maternidade, as crianças ingressam nas creches. Para eventuais necessidades, pode-se chamar baby sitters, que normalmente são adolescentes filhas de vizinhos. Na falta delas, pode-se recorrer a baby sitters profissionais, que são meninas que fazem um curso específico e ficam em um "banco de dados" aguardando solicitação.



3. Nas creches e escolas

Na Alemanha, as crianças da Educação Infantil (pré-escola) vão a creches e não a escolas. As creches são próximas de casa (tem creches em todos os bairros) e funcionam pela manhã até o início da tarde. O valor pago pela creche é proporcional ao salário dos pais. Quem ganha mais paga mais, quem ganha menos paga menos. O pagamento é feito ao governo e não diretamente à creche. Desta forma, não cabe à creche saber se tem pai inadimplente ou não!

As creches recebem crianças até 5 anos, que compartilham o mesmo ambiente. Não há séries definidas. Mas tudo funciona muito bem. As educadoras (não são chamadas de professoras, pois a formação é diferente) orientam as atividades conforme a idade.

Como as creches são uma opção para deixar as crianças enquanto os pais trabalham, elas ficam fechadas por poucos dias no ano, para férias. Porém as crianças podem sair de férias durante outros períodos, que sejam convenientes para seus pais. Neste caso, no mural abaixo, as professoras colocam a foto da criança na coluna "Férias". Tem outra coluna que é para as crianças que estão doentes. E o espaço maior tem a foto de todas as crianças que estão frequentando as aulas. Assim fica fácil ter um controle pessoal e visual de onde as crianças estão.





A partir dos 6 anos, com a entrada no ensino fundamental, as crianças passam a frequentar escola pública. Sim, a grande maioria dos estudantes alemães vai para a escola pública, que é muito boa. Normalmente apenas crianças com dificuldade de aprendizagem frequentam escola particular.



4. Férias dos pais?

Outra coisa interessante é sobre as férias. São 4 férias! 2 semanas entre Natal e Réveillon, 2 semanas na Páscoa, 2 no outono e 6 no verão. Como as crianças possuem mais tempo de férias do que os pais podem tirar (que são 30 dias úteis), é muito comum, especialmente no verão quando as férias são mais longas, ver algumas delas acompanhando os pais no trabalho. Por exemplo, carteiros, motoristas de caminhão, funcionários de lojas e restaurantes e profissionais de empresas (que permitem em sua política), levam suas crianças para acompanhá-los no trabalho! Os profissionais alemães acreditam na importância disto para que os filhos saibam e entendam de onde vem o dinheiro dos pais que os sustenta e porque os pais não ficam em casa o dia todo. E as empresas alemãs, adeptas a esta política, acreditam que é melhor permitir as crianças por perto do que a possibilidade do funcionário faltar ao trabalho ou trabalhar preocupado!

Além das férias, crianças também vão ao trabalho dos pais quando estão doentes! Os alemães têm direito a 5 dias úteis de ausência no trabalho por ano. Esses dias podem ser usados quando os filhos estão doentes ou caso não seja necessário, no final do ano podem ser utilizados. Assim, muitos optam por levar os filhos doentes ao trabalho e guardar esses 5 dias para uma necessidade futura.



5. Trabalho adolescente

Na Alemanha, é muito comum adolescentes a partir de 14 anos começarem a trabalhar, fazendo "bicos" (que é tão pejorativo aqui no Brasil). Eles entregam jornal, cuidam de jardins, fazem baby sitt e tantas outras atividades, principalmente para vizinhos. Além de juntar um dinheirinho, os adolescentes começam a experimentar as responsabilidades da vida adulta. Nada da boa vida que nossos brasileirinhos têm até os 18 anos, com mesada do pai para ir às baladas...



6. Bollerwagen (carrinho de transporte)

Esse carrinho é um acessório que quase toda família alemã tem. Ao sair com os filhos, fica fácil transportá-los. São usados no Shopping, no mercado, no zoológico e, principalmente, nas praias. Pode ser usado também para colocar sacolas. Muita gente tem o seu próprio, mas muitos lugares oferecem para alugar. Conheci este carrinho no Zoológico de Colônia e fiquei encantada! Quem nunca passou sufoco no zoológico com as crianças cansadas de andar? Com este carrinho, as crianças podem fazer o trajeto na mordomia, se levantando para ver de perto os animais que mais lhes interessar. Não é muito pesado para puxar e a vantagem é que, além de ser melhor do que carregar as crianças, ainda é mais difícil perder aquelas que gostam de sair correndo por aí! Elas acham super divertido andar no carrinho! Detalhe: o carrinho é para uma ou duas crianças, mas testamos com três e deu certo (exceto nos momentos de brigas para ver quem ia ficar no meio ou nas pontas. rs).










7. Num passeio pelo IKEA quanta coisa eu vi!

Mas o que me encantou mesmo foi a loja IKEA, que possui detalhes especiais para encantar as mães. O IKEA é uma grande loja de móveis e utensílios domésticos, semelhante à Tok Stok ou à Etna, que têm aqui no Brasil. O primeiro deles é que fornece gratuitamente o tal carrinho que mostrei lá em cima, para transportar as crianças. Outra ideia fantástica é este quiosque abaixo. Sabem como ele funciona? Por fora, ele é uma mesa circular com cadeiras, no meio da praça de alimentação. Dentro desta área é um espaço para as crianças brincarem. Ou seja, enquanto os pais almoçam ou fazem um lanche, estão olhando as crianças brincando em sua frente!!

 

 
 
 

Ainda no IKEA, na área do restaurante eles possuem um armário com talheres, forno de microondas e liquidificador, para atender às mães que precisam esquentar ou fazer uma papinha de bebê. Isso dentro de um restaurante!! Nunca vi tamanha consideração com as mães :)

 
Outro detalhe que achei bem bacana é esse "porta-bandejas". Pense numa mãe com dois filhos! Como ela faz 3 pratos e leva até a mesa?? Esta é a solução! Um carrinho com prateleiras para se colocar as bandejas e levar até a mesa. Fantástico!!
 


 
Mais um detalhe que achei interessante no restaurante é essa esteira rolante, onde colocamos as bandejas sujas e elas são recolhidas lá dentro para limpeza. Não preciso nem dizer o quanto as crianças amaram e quanto tempo ficaram assistindo... rs

 
No banheiro, claro, não podia faltar atenção às mães. Um trocador singelo mas que atende muito bem às nossas necessidades.


Agora prestem atenção a este pequeno detalhe no corrimão da escada! Repararam que tem dois corrimãos?? Sim, o mais alto para os adultos e o menor para as crianças!!
 




Tanta atenção às mães e seus filhos devem ter sido influenciadas pela pesquisa que a loja fez há uns anos atrás, através da qual constatou que uma grande porcentagem das crianças alemãs tinham sido concebidas em camas da própria loja. Nada mais justo do que retribuir à altura!

 
 
 

 
8. Estacionamento
 
Aqui no Brasil existem vagas especiais para deficientes, já existem vagas para idosos e, em alguns lugares, já existe vaga para gestantes. Mas na Alemanha existem vagas para famílias! São vagas mais amplas, próprias para quem tem crianças e precisa abrir mais a porta do carro para colocá-las nas cadeirinhas e ajustar o cinto! Legal, não é??
 
 
 
 
9. Bicicleta alemã
 
Na Alemanha, crianças de 2 a 5 anos não usam bicicleta de rodinhas... também não usam bicicleta com pedal! Usam essa aí debaixo! Uma bicicleta de madeira sem pedal e sem rodinhas, que anda com os impulsos dos pés das crianças. Toda criança alemã tem essa bicicleta e passa desta para a bicicleta convencional sem precisar da etapa das rodinhas (tira uma, tira as duas e os pais doidos correndo atrás para a criança não cair!). Com esse modelo, as crianças aprendem a se equilibrar desde cedo. A lógica é simples: a criança tem que impulsionar com os pés para fazer a bicicleta andar. Aos poucos, com impulsos mais fortes, a criança começará a se equilibrar em duas rodas, tendo a segurança de pisar no chão na hora em que precisar. Veja vídeo e entenda mais sobre como funciona aqui
 
 
 
 
 
Já é possível adquirir esta bicicleta aqui no Brasil na Loja Superbacana.
 
 
10. Florestinhas
 
 
Na história de Chapeuzinho Vermelho, as crianças devem ficar imaginando como Chapeuzinho poderia atravessar uma floresta para chegar à casa da avó! Sim, porque floresta não é uma realidade aqui no Brasil. Mas na Alemanha, é uma realidade encantadora!! Dentro das cidades há florestas de verdade, onde as famílias costumam frequentar e levar suas crianças. É uma realidade estranha para a gente, pois se fosse aqui, seriam muito perigosas, teriam assaltantes, guardadores de carro, vendedores ambulantes, sujeira por toda a parte e, infelizmente, muita gente mal educada fazendo necessidades fisiológicas "no meio do mato". Mas lá não! As florestas são lindas, bem cuidadas, agradáveis. Dá para fazer piquenique, andar de bicicleta ou somente fazer uma caminhada e contemplar a natureza. Tem muitos parquinhos também.
 
 
 
 
 
E aí? Se encantaram também?? É muito bom viajar e trazer na bagagem as coisas boas que encontramos lá fora. E vocês também já viram coisas legais por aí? Compartilhem aqui!
 
 

 

9 comentários:

  1. amei me apaixonei
    pela licença maternidade então meu Deus
    preciso ir morar na Alemanha rs
    amei também sua postagem no Recanto

    linda semana bjs

    http://sermamaepelasegundavez.blogspot.com.br/

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  2. UAU!
    achei demais o post!
    Muito bom olhar a cultura de outro pais sob essa ótica.
    beijos
    Lele
    www.eueleeascriancas.com.br

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  3. Eu deprimi, pode? Como pode ter tanta coisa bacana e simples para ajudar as pobres mortais das mães? Adorei cada detalhe. Beijos.
    Fabi
    Mulher & Mãe
    #amigacomenta

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  4. Muito bacana as observações de mãe que vc fez! E muitas coisas são simples, mas dependem exclusivamente da educação do povo para funcionar bem. Aqui no Brasil ainda demora um tempo para essas coisas funcionarem, infelizmente. =/

    www.maedigital.com.br

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  5. Eu també já estive na alemanha, mas na época eu nao era mae.
    Além de tudo isso que você citou a forma que eles educam também é bem interessante.
    Tive contato com algumas famílias e pude observar que dificilmente há gritaria com as crianças. Chega ser angunstiante ver a criança em uma façanha perigosa e os pais observando o resultado. Kkk
    Não tem como não ficar com uma invejinha, né?!
    Bjs
    Mari
    #amigacomenta

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  6. Amei o post Jamile! Quanta coisa bacana... A ideia de pagamento de acordo com o salário dos pais é a coisa mais justa que já via, sensacional!
    Beijo
    Débora Araújo
    #amigacomenta
    @personalbebe

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  7. Muito bom o seu texto! Você é uma excelente observadora. Moro na Alemanha há 21 anos e nao penso em sair daqui tao cedo, mesmo sentindo falta da família e da praia....

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  8. O mais legal é que, por conta da diferença do esquema de trabalho para mulheres na Alemanha, mais essa licença maternidade, as mulheres amamentam mais! Legal né? Isso faz a gente ver como um governo que sabe investir a mudança social que acontece.
    ;)

    Beijo
    www.parabeatriz.com

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  9. Oi Jamile,
    Parabens pelo blog, muito interessante as informaçoes.
    Gostaria de saber para aquelas que vao ser mae e nunca trabalharam aqui na Alemanha, tu sabes como funciona? Tem algum tipo de auxilio?
    Faz pouco tempo que estou aqui e estou aprendendo o idioma, consequentemente ainda nao consegui trabalho.
    Gabriela

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