domingo, 16 de dezembro de 2012

Feche a boca e abra os braços



"Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços". Quando li essa frase*, a princípio não entendi bem o que ela queria dizer, até que li a história por completo. Não pude deixar de me emocionar com tanta sabedoria em tão poucas palavras.

A historia é muito bonita e vale a pena ser lida:



"Uma amiga ligou com notícias perturbadoras: a filha solteira estava grávida.

Relatou a cena terrível ocorrida no momento em que a filha finalmente contou a ela e ao marido sobre a gravidez. Houve acusações e recriminações, variações sobre o tema "Como pôde fazer isso conosco?" Meu coração doeu por todos: pelos pais que se sentiam traídos e pela filha que se envolveu numa situação complicada como aquela. Será que eu poderia ajudar, servir de ponte entre as duas partes?

Fiquei tão arrasada com a situação que fiz o que faço – com alguma frequência – quando não consigo pensar com clareza: liguei para minha mãe. Ela me lembrou de algo que sempre a ouvi dizer. Imediatamente, escrevi um bilhete para minha amiga, compartilhando o conselho de minha mãe: "Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços."

Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma paciência minúscula.

Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o abajur de seu quarto. Depois de me certificar de que não estava machucada, me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido – e só então percebi o pavor estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia. Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os braços.

Kim correu para eles dizendo:

– Desculpa... Desculpa – repetia, entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me sentia péssima por tê-la assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um segundo, que aquele abajur era mais valioso para mim do que ela.

– Eu também sinto muito, Kim – disse quando ela se acalmou o bastante para conseguir me ouvir. - Gente é mais importante do que abajures. Ainda bem que você não se cortou.

Felizmente, ela me perdoou. O incidente do abajur não deixou marcas perenes. Mas o episódio me ensinou que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração.

Quando meus filhos eram adolescentes – todos os cinco ao mesmo tempo – me deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência malsucedidos e ficar em recuperação. Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, algumas vezes, ruidosa e unilateral.

Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco razoáveis. É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da história e da motivação por trás dela quando está abraçando uma criança, mesmo uma criança num corpo adulto. Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam errados sabendo que eram amados, apesar de tudo. Dava para trabalharmos com "o que você acha que devemos fazer agora", em vez de ficarmos presos a "como foi que a gente veio parar aqui?"

Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família. Um deles veio me ver há alguns meses e disse "Mãe, cometi uma idiotice..."

Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha. Escutei e me limitei a assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança maravilhosa passava o seu problema por uma peneira. Quando nos levantamos, recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.

– Obrigado, mãe. Sabia que você me ajudaria a resolver isto.

É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços".
 
 
Diane C. Perrone
Histórias para aquecer o coração das mães
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e outros
Editora Sextante



Muitos pais precisam ouvir e seguir este conselho. Quantas vezes damos broncas em nossos filhos, quando na verdade deveríamos acolhê-los e abraçá-los, para depois explicar o que fizeram de errado?? São apenas crianças! Com poucos anos de vida, conquistando sua coordenação motora, aprendendo a desafiar ses próprios limites, desenvolvendo sua inteligência emocional e adquirindo o conhecimento do mundo. São crianças que são nossas e é nossa a responsabilidade de estar ao lado delas para ensinar quantas vezes forem necessárias, pois errar faz parte da vida de todos nós.

Outro dia ouvi uma mãe dizendo que morava numa casa com piscina e já havia falado várias vezes para a filha de 3 anos (só 3 anos, vejam!) que era para ter cuidado. Um certo dia, a menina caiu na piscina. A mãe correu para resgatá-la e sabem o que fez?? Brigou com ela e bateu (hã??). Quando ouvi isso, a frase não parava de piscar em minha cabeça...

"Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços".

Vocês não acham que a melhor atitude, após resgatar a criança, era abraçá-la, beijá-la e perguntar se ela estava bem?

Pois é... quantas vezes poderíamos ter seguido este conselho e não seguimos?

Então, a partir de hoje, não deixem de lembrar esta frase a cada momento com seus filhos. Não confundam com mimar, superproteger, ser melosa ou qualquer outra coisa. Não confundam com deixar de dar bronca, chamar atenção ou colocar de castigo por algum mau comportamento. Não confundam.

Essa frase ensina que devemos ser compreensivos com as crianças e com seus limites; que devemos entender que nosso papel é ensiná-las e ampará-las. E, principalmente, que devemos saber o que é realmente importante na vida.



"As paredes podem ser pintadas de novo, as coisas quebram e são substituídas."
(autor desconhecido).






 

Leia também: Respira, mamãe com o texto da frase acima na íntegra.



 


*Conheci este texto através do Blog Ktralhas.

11 comentários:

  1. Esse texto é realmente uma ótima reflexão. E curiosamente ontem soube que minha filha havia rabiscado as paredes com canetinha. Ela tem apenas 3 anos e agora desenhar... Claro que explicamos que não podia fazer tal coisa, sem gritar, esbravejar, muito menos bater. Mas é um exercício diário lembrar que nossos filhos são pequenos cidadãos em formação e que precisam de nossa paciência para educá-los, guia-los e, claro, amá-los.
    Obrigada por compartilhar essa história!

    Silvia Azevedo (@silvia_az)
    http://umapitadadecadacoisa.blogspot.com
    #amigacomenta

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  2. Caramba! Estou em prantos aqui! Muito lindo o texto, posso levar para meu blog, colocando os créditos e os links do seu blog e do ktralhas? Perfeito demais!

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    1. rsrs. Claro, Bárbara! É um bem que faz às crianças ao compartilhar esta mensagem. Beijos.

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  3. Lindo!! Que reflexão maravilhosa!! Obrigada por compartilhar conosco! Beijos Flávia
    #amigacomenta
    www.gravidinhasemaezinhas.com
    @gravidemae

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  4. UAU!
    Gestos simples podem ser tão especiais ne?
    Adorei!
    beijos
    Lele

    #amigacomenta

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  5. Oi Jamile, um texto lindo com uma reflexão excelente. Muito significado e sabedoria em poucas palavras. Adorei ter passado por aqui e encontrado essa mensagem. É isso, devemos acolher e depois mostrar o que foi feito de errado e como podemos melhorar daqui pra frente.
    bejos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/
    #amigacomenta

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  6. Que lindo gentee!
    Adorei muito!
    beijos
    #amigacomenta

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