domingo, 17 de novembro de 2013

Afinal, até que idade vai a infância?

* Foto postada pela mãe em rede social



No auge dos seus 7 anos, meu filho me diz: "Mãe, meu colega tem Facebook e disse que tem um monte de foto de mulher pelada!"

Sou eu a única mãe "careta"? A única que acha que 7 anos ainda é criança e deve viver a infância? A única que não quer antecipar a adolescência para os 7 anos? 

Afinal, uma criança de 7 anos sabe para que serve uma mulher pelada? Ou tem idade para estar navegando em redes sociais, com ou sem supervisão?? 

O que eu sei é que tem pai que estimula as cabecinhas ingênuas a começarem a pensar como se já fossem adolescentes. Uma pena, pois cada fase tem o seu momento. E antecipando uma, a outra estará indo embora antes do tempo.

Criança tem que ser criança!! Gostar de brinquedo, de molecagem, de bagunça, de correria, de jogar, de videogame, de pega pega, de bola e bonecos. Aí vem a televisão, os filmes não indicados, os tios mal intencionados, os colegas "mais avançados"...

Na cabeça de uns, isso não está errado. Mas o limite do outro termina onde o seu começa. Não adianta uma família sozinha lutar pela infância se lá fora o mundo não conspira ao nosso favor. De alguma maneira a criança vai trazer para casa o que andou aprendendo por aí. E que não necessariamente é como você sonhou ou no momento que você gostaria...

Não queremos nossos filhos na Terra do Nunca, onde as crianças nunca crescem. Queremos apenas que as coisas aconteçam no momento adequado e quando estiverem mais preparados.

Por isso precisamos de pais mais conscientes da importância da infância e que saibam até que idade ela pode ir... Sem medo de ser feliz!!




Fotos do Google


* Foto principal: filho da modelo/ atriz Ana Lima e Gabriel O Pensador, em foto postada pela própria mãe em redes sociais com a legenda "A matéria devia estar bem interessante" (notícia do Ego).

sábado, 9 de novembro de 2013

Presentes de Natal Superbacanas!



Novembro chegou!! E muita gente aproveita este mês para antecipar as compras de Natal. Sim, porque deixar para dezembro significa enfrentar shoppings cheios, pegar filas nos caixas, dentre outros inconvenientes.

Para os filhos, o primeiro passo é iniciar aquela velha conversa: "o que você vai pedir para Papai Noel, filho?". A partir da resposta, às vezes é necessário dar um direcionamento, não é verdade? Pode ser porque o brinquedo é caro demais para nosso bolso, porque é difícil de encontrar ou até porque não achamos adequado. Seja o que for, este é o mês de escrever a famosa cartinha para o Papai Noel. Até  mesmo para "dar tempo de chegar" lá no Pólo Norte e dar tempo para a mamãe e o papai pesquisarem e comprarem. E lembre-se! Cartinha enviada não dá mais para mudar de ideia do presente!! Esta é a garantia dos pais! rs

Mas além do presente que o Papai Noel dará aos nossos filhos, nós sempre temos pessoas queridas que desejamos presentar. Sobrinhos, priminhos, afilhados e amigos. Então, comece a preparar a sua listinha de crianças e vamos às compras!

Mãe para Mães criou este ano uma lojinha virtual exclusiva e especial, a Superbacana, que eu apresentei para vocês aqui. São presentes interessantes, criativos e divertidos, desde brinquedos até roupas e utilidades, e que estão reunidos em um só lugar. Podem entrar, fiquem à vontade. Será um prazer recebê-los aqui: www.lojasuperbacana.com.br.

No Blog da Loja - Mãe Superbacana - você encontrará também um post exclusivo com SUGESTÕES DE PRESENTES DE NATAL separados por idade.

Veja abaixo um resumo de sugestões:

Bicicleta Superbacana alemã

Capa Lobo Mau

Kit Espião


Livro de desenhos para meninas ou meninos

Bela Fashion ou Beto Bacana

Soldadinho sem chumbo

Pinta Casinha


Kit Mágico



Confira outras sugestões por idade aqui: http://maesuperbacana.blogspot.com.br/2013/11/sugestoes-de-presentes-de-natal.html

E visite a loja: www.lojasuperbacana.com.br 
criada de Mãe para Mães!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Banho sozinho?



Outro dia, vi uma enquete na internet: com qual idade seu filho começou a tomar banho sozinho?

E lá vieram as respostas das mães porretas: Com 7! Com 6! Com 5! Com 4! (E eu pensando onde ia encaixar o meu...)

Até que uma mãe lançou: "Com 18!"

Pronto! Meu caso não estava perdido! Até lá eu consigo!! kkk

Gente, uma criança embaixo de um chuveiro não é fácil não.... água caindo, tempo passando, sabonete esperando, brincadeira rolando, pensamento voando...

Além do que o sabonete lava tudo: paredes, torneiras, brinquedos.... E o corpinho nada.....

Comparações sempre existem no mundo colorido da maternidade, normalmente propostas pela mãe que acha que seu filho é o melhor. Mas cada criança tem seu tempo, tem suas qualidades e suas dificuldades... E o bom mesmo é assumir! E aqui eu lhes confesso (sem querer expor meu pequeno crescidinho que já está com 7 anos): Não. Ele não sabe tomar banho sozinho! Mas eu juro que vou continuar ensinando, mesmo que demore até os 18 anos, ele vai aprender!!







sábado, 2 de novembro de 2013

A arte de ser vó



Dizem que é melhor ser avó do que mãe, que avó é mãe duas vezes, que é mãe com açúcar e tantas coisas mais. Mas nenhum texto traduziu tão perfeitamente  a "arte de ser vó" do que esta crônica lindíssima de Rachel de Queiroz! Claro que eu tinha que compartilhar com vocês!


"A arte de ser vó
Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações - todos dizem isso embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avó, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto - no entanto! - nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente, ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. 

Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer roquetes, tomar café - café! -, mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó, e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém, esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade...

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague..."




Rachel de Queiroz (O Brasileiro Perplexo, 1964)